Dou por mim, de vez em quando, a visitar a coisa: às vezes, lá alguém se lembra que quer ser meu "amigo" (embora a todos os conheça pessoalmente), já convidei alguns, alguma troca de palavras, e ainda há dias "reencontrei" um amigo de faculdade, de quem há muito não sabia. Até aqui tudo bem, pois sou suficientemente equilibrada para discernir uma coscuvilhice salutar.
A minha amiga tinha-me falado de uma aplicação, de nome Farmville, na qual passava as horas mortas - e, admitamos, as não-mortas também. Como ela muita gente. A desculpa que me deu foi "É relaxante", mas a verdade é que de relaxante não tem nada, pois não é necessário saber muito de cognição humana para perceber que esses jogos virtuais têm como principal objectivo a adição de quem os utiliza.
Mas nem quero entrar por aí... Angustiante é saber que há pessoas que passam todo o santo dia agarradas àquilo. Entre couves, batatas, cenouras, pimentos, vacas e galinhas, há quem naquilo trabalhe arduamente, certamente com a intenção de erradicar a fome no Mundo. Julgo eu. Não condeno quem tenha esta ideia em mente, mas é muito triste constatar que são pessoas que TRABALHAM! Que têm um emprego! Isso é que é assustador. É que não são os desempregados, como eu, que dedicam o seu precioso tempo a ver crescer algo que nem para comer dá! São indivíduos com horário de trabalho, com tarefas a cumprir que, de cinco em cinco minutos, ora vão regar, ora vão arrancar erva, ora vão deitar milho às galinhas. E ainda mais angustiante é fazer isso todos os dias efectivamente, ver os calos aparecerem nas mãos - não da caneta nem do pincel - e ainda NINGUÉM se ter oferecido a pôr os conhecimentos obtidos via Farmville em prática. Lanço aqui o repto: tenho uns bons hectares de terra para trabalhar, algum mato e silvas para roçar, e alguma erva para arrancar. Usam-se utensílios verdadeiros e força das mãos. Obrigada.
Realmente, este país é uma grande Quinta, atolada de quinteiros.