Falta arrumar parte da casa... Prometo ser breve.
domingo, 31 de maio de 2009
Back soon
Amanhã passarei por aqui, talvez para deixar escrito algo de jeito. Razões que me são alheias despoletaram um número excessivo de sinapses que geraram uma confusão mental temporária: daí a falta de post's assim-assim e comentários dignos nos blogues amigos.
Falta arrumar parte da casa... Prometo ser breve.
Falta arrumar parte da casa... Prometo ser breve.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Eureka!
Ora aqui está uma palavra que gosto muito. E hoje lembrei-me dela logo pela manhã, e sem café ainda tomado...
Já há algum tempo que me perguntava porque raio o PS vinha agora com o slogan "Nós Europeus"... Sim, eu tenho mais que pensar, é verdade, mas os clichés políticos não passam de mensagens subliminares que nos afectam o cérebro, de qualquer forma. E eu gosto de as decifrar.
Saí eu no metro, com o meu orgão primário a latejar por um café, e eis que olhando de soslaio para os painéis de azulejos decorativos tantas vezes vistos se fez luz : "Não sou ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo - Sócrates". Et voilá! O nosso Sócrates - vulgo Socas -, a quem o Deus não ousou dotar com o benefício da imaginação, pegou na célebre frase do homónimo (oh, malogrado...) e adaptou-a para a sua próxima conquista: a deusa Europa... Ele próprio anda a ver se se endeusa, mas o que nasce torto, tarde ou nunca de endireita: assim diz sabiamente o povo. Posto isto, sem dúvida que ainda prefiro olhar o busto do filósofo a ver o Socas na TV, pois embora o primeiro não primasse pela beleza ainda ia dizendo umas coisas de jeito.

O Sócrates vê-se grego...
Já há algum tempo que me perguntava porque raio o PS vinha agora com o slogan "Nós Europeus"... Sim, eu tenho mais que pensar, é verdade, mas os clichés políticos não passam de mensagens subliminares que nos afectam o cérebro, de qualquer forma. E eu gosto de as decifrar.
Saí eu no metro, com o meu orgão primário a latejar por um café, e eis que olhando de soslaio para os painéis de azulejos decorativos tantas vezes vistos se fez luz : "Não sou ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo - Sócrates". Et voilá! O nosso Sócrates - vulgo Socas -, a quem o Deus não ousou dotar com o benefício da imaginação, pegou na célebre frase do homónimo (oh, malogrado...) e adaptou-a para a sua próxima conquista: a deusa Europa... Ele próprio anda a ver se se endeusa, mas o que nasce torto, tarde ou nunca de endireita: assim diz sabiamente o povo. Posto isto, sem dúvida que ainda prefiro olhar o busto do filósofo a ver o Socas na TV, pois embora o primeiro não primasse pela beleza ainda ia dizendo umas coisas de jeito.

O Sócrates vê-se grego...
segunda-feira, 25 de maio de 2009
!
Confesso que, desta vez, não estou ausente por falta de tempo... É mesmo por falta de paciência.
Às vezes chateio-me com isto, a sério. Como me chateio comigo própria. E por isso será preferível nada dizer/escrever antes que fira susceptibilidades, as minhas principalmente. Porque normalmente escrevo de mim para mim, e a primeira vítima das minhas atitudes serei eu, of course. Quem mais poderia ser? E depois ninguém me lê, ou melhor, ninguém me vê...
Ok, whatever. Tive uma prenda. A huge gift. Daquelas que o coração pulula de alegria: o meu mano mais velho fez questão de me presentear com o seguinte evento:

Sim. Sou uma afortunada... Pelo menos por enquanto. Não sei se o serei no dia do concerto, num estádio apinhado de gente, e eu aos pulos para conseguir ver my dearest Martin Gore (e o David Gahan em tronco nú, porque não?).
São como o "vinho do Porto"... E no Porto estarei, no dia 11 de Julho, para beber deste cálice.
P.S.: No entanto, pelo sim pelo não, vou pôr uma velinha... Parece que o Dave apanhou na Grécia uma gastroenterite, e tal originou o cancelamento de vários concertos no leste europeu. Vou rezar para que eles não se lembrem, quando cá chegarem, das tripas à moda: um peixinho grelhado light vai ser o meu pedido aos santos.
Às vezes chateio-me com isto, a sério. Como me chateio comigo própria. E por isso será preferível nada dizer/escrever antes que fira susceptibilidades, as minhas principalmente. Porque normalmente escrevo de mim para mim, e a primeira vítima das minhas atitudes serei eu, of course. Quem mais poderia ser? E depois ninguém me lê, ou melhor, ninguém me vê...
Ok, whatever. Tive uma prenda. A huge gift. Daquelas que o coração pulula de alegria: o meu mano mais velho fez questão de me presentear com o seguinte evento:

Sim. Sou uma afortunada... Pelo menos por enquanto. Não sei se o serei no dia do concerto, num estádio apinhado de gente, e eu aos pulos para conseguir ver my dearest Martin Gore (e o David Gahan em tronco nú, porque não?).
São como o "vinho do Porto"... E no Porto estarei, no dia 11 de Julho, para beber deste cálice.
P.S.: No entanto, pelo sim pelo não, vou pôr uma velinha... Parece que o Dave apanhou na Grécia uma gastroenterite, e tal originou o cancelamento de vários concertos no leste europeu. Vou rezar para que eles não se lembrem, quando cá chegarem, das tripas à moda: um peixinho grelhado light vai ser o meu pedido aos santos.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Bacalhau com natas
"Lisboa, 22 Mai (Lusa) - A nova Confraria da Punheta de Bacalhau pretende promover esta iguaria que, ao contrário de outras receitas como a do pastel de nata, é algo que "pertence ao povo, como prato gastronómico" tradicional, defendem os seus promotores.
A criação desta nova irmandade vai ser formalizada sábado em Cacilhas, tendo como meta principal "pugnar pela elevação da gastronomia portuguesa" e pelos pratos tradicionais, explicou à Lusa o fundador da Confraria da Punheta de Bacalhau Hernâni Magalhães.
As expectativas para sábado são elevadas até porque os promotores desconhecem quantas pessoas pretendem aderir à Confraria da Punheta de Bacalhau mas, para já, está confirmada a presença de cerca de 30 pessoas para este primeiro acto solene, a realizar ao final da tarde na Casa da Juventude de Cacilhas."
In Notícias RTP, 22-o5-09
Bem... Já que vou a Belém aos pastéis de nata, bem que posso passar o rio e participar nesta pugnação pela elevação da gastronomia portuguesa. Afinal, e como é deixado bem expresso, a punheta é do povo. E eu gosto de bacalhau.
Sarcasmo...
A criação desta nova irmandade vai ser formalizada sábado em Cacilhas, tendo como meta principal "pugnar pela elevação da gastronomia portuguesa" e pelos pratos tradicionais, explicou à Lusa o fundador da Confraria da Punheta de Bacalhau Hernâni Magalhães.
As expectativas para sábado são elevadas até porque os promotores desconhecem quantas pessoas pretendem aderir à Confraria da Punheta de Bacalhau mas, para já, está confirmada a presença de cerca de 30 pessoas para este primeiro acto solene, a realizar ao final da tarde na Casa da Juventude de Cacilhas."
In Notícias RTP, 22-o5-09
Bem... Já que vou a Belém aos pastéis de nata, bem que posso passar o rio e participar nesta pugnação pela elevação da gastronomia portuguesa. Afinal, e como é deixado bem expresso, a punheta é do povo. E eu gosto de bacalhau.
Sarcasmo...
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Alien
Fula, fula, fula... Isto é no que dá andar armada em "repórter do Património" neste país.
Claro que só a mim... Hoje a minha tarde foi passada na demanda de umas fotografias de umas telas existentes numa capela de uma aldeia atrás de serra (e quando falo "atrás de serra" é mesmo lá atrás), numa daquelas em que a estrada acaba ali e não se vislumbra nada mais dali para a frente.
Ora, chegada lá e sob um sol abrasador, não se via viva alma. Até que lá encontrei um grupo de senhoras de idade debaixo da soleira de uma porta. Mui cordialmente, lá expliquei ao que ia... Ninguém sabia quem seria o/a responsável pela abertura da capela. Depressa a notícia se espalhou POR TODA A ALDEIA - "a menina quer fazer um trabalho para a escola!" - e vi-me rodeada por grande parte da população, que por curiosidade e desconfiança perguntavam o que é que andaria eu para ali a fazer. Senti-me enfiada num cenário quase medieval, dadas as expressões das gentes. Lá uma jovem - que entretanto apareceu do "fundo do povo" (sim, no espaço de poucos minutos a notícia tinha chegado lá) - se prontificou a ir a casa de uma prima, que provavelmente teria a chave. Ida e volta, a senhora prima recusou-se a disponibilizar a chave... Porque a dita capela tinha sido recentemente assaltada e levaram o ouro todo da santa. Sim, deixaram a porta da capela entreaberta e o interior bem recheado... E eu perguntei-me se tinha cara de larápia. O sacristão, que alguém disse que também teria a chave, estava agarrado à enxada nas terras, "à Eira". Finalmente, alguém se lembrou do presidente da junta de freguesia, que estaria algures a montar o palco para o arraial do próximo fim-de-semana. O palco estava lá, o presidente é que não. E onde é que eu o fui encontrar, hum? Sim, na pipa mais próxima: uma pausa bem regada. Lá repeti a lenga-lenga e o senhor, que de repente se mostrou muito apressado, disse que só falando com o padre... Que tem residência a 15 Km da aldeia, e que só ali ia dar missa aos domingos. No caminho de volta, ainda procurei e encontrei a dita residência do padre... Sem padre (segundo consegui apurar, só vai a casa para dormir). Resumindo: se quero as fotos, lá terei que fazer outra vez 40Km (80 ao todo) e gramar com um arraial. Que as pessoas sejam desconfiadas (descuidadas, é essa a verdade) até que compreendo... Agora eu não tenho mau aspecto, caraças.
Com o meu ego de rastos, de mãos a abanar e com umas sardas a mais... Eis o resultado do que dá querer fazer algo por este país: os larápios, está visto, é que ficam sempre a ganhar.
Claro que só a mim... Hoje a minha tarde foi passada na demanda de umas fotografias de umas telas existentes numa capela de uma aldeia atrás de serra (e quando falo "atrás de serra" é mesmo lá atrás), numa daquelas em que a estrada acaba ali e não se vislumbra nada mais dali para a frente.
Ora, chegada lá e sob um sol abrasador, não se via viva alma. Até que lá encontrei um grupo de senhoras de idade debaixo da soleira de uma porta. Mui cordialmente, lá expliquei ao que ia... Ninguém sabia quem seria o/a responsável pela abertura da capela. Depressa a notícia se espalhou POR TODA A ALDEIA - "a menina quer fazer um trabalho para a escola!" - e vi-me rodeada por grande parte da população, que por curiosidade e desconfiança perguntavam o que é que andaria eu para ali a fazer. Senti-me enfiada num cenário quase medieval, dadas as expressões das gentes. Lá uma jovem - que entretanto apareceu do "fundo do povo" (sim, no espaço de poucos minutos a notícia tinha chegado lá) - se prontificou a ir a casa de uma prima, que provavelmente teria a chave. Ida e volta, a senhora prima recusou-se a disponibilizar a chave... Porque a dita capela tinha sido recentemente assaltada e levaram o ouro todo da santa. Sim, deixaram a porta da capela entreaberta e o interior bem recheado... E eu perguntei-me se tinha cara de larápia. O sacristão, que alguém disse que também teria a chave, estava agarrado à enxada nas terras, "à Eira". Finalmente, alguém se lembrou do presidente da junta de freguesia, que estaria algures a montar o palco para o arraial do próximo fim-de-semana. O palco estava lá, o presidente é que não. E onde é que eu o fui encontrar, hum? Sim, na pipa mais próxima: uma pausa bem regada. Lá repeti a lenga-lenga e o senhor, que de repente se mostrou muito apressado, disse que só falando com o padre... Que tem residência a 15 Km da aldeia, e que só ali ia dar missa aos domingos. No caminho de volta, ainda procurei e encontrei a dita residência do padre... Sem padre (segundo consegui apurar, só vai a casa para dormir). Resumindo: se quero as fotos, lá terei que fazer outra vez 40Km (80 ao todo) e gramar com um arraial. Que as pessoas sejam desconfiadas (descuidadas, é essa a verdade) até que compreendo... Agora eu não tenho mau aspecto, caraças.
Com o meu ego de rastos, de mãos a abanar e com umas sardas a mais... Eis o resultado do que dá querer fazer algo por este país: os larápios, está visto, é que ficam sempre a ganhar.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Smile

Marc Chagall, O Grande Circo, 1968.
Sempre que olho para um quadro do Chagall esboço um sorriso. Sempre. Hoje, à falta de palavras - gastas noutro lado qualquer -, aqui fica um dos quadros do pintor que me faz sentir feliz. Às vezes é preciso.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
O que faz falta... É animar a malta - take 2.
Ora, não tendo conhecimento da situação em questão referida no post anterior, gentilmente a Bê me "canalizou" para o Youtube, onde ouvi, incrédula, a dita reportagem:
A "professora" de História em questão é um grave sinal da existência de doentes mentais no ensino... Só pode. Não retiro o que anteriormente disse em relação ao perfil de grande parte dos meninos; no entanto acrescento que a professora - e mea culpa por não me ter informado antes - tendo o mestrado como afirma, não tem algo de essencial e primário: educação. E sem educação jamais poderá educar.
Hospício com ela!
A "professora" de História em questão é um grave sinal da existência de doentes mentais no ensino... Só pode. Não retiro o que anteriormente disse em relação ao perfil de grande parte dos meninos; no entanto acrescento que a professora - e mea culpa por não me ter informado antes - tendo o mestrado como afirma, não tem algo de essencial e primário: educação. E sem educação jamais poderá educar.
Hospício com ela!
O que faz falta... É animar a malta.
"Professora de Espinho suspensa por alegada conversa sobre orgias sexuais na sala de aula
Uma professora da Escola Básica 2,3 Sá Couto, de Espinho, está suspensa e enfrenta um processo disciplinar na sequência de alegadas alusões a orgias sexuais, durante uma aula, gravadas em áudio por uma educanda.
A presidente do Conselho Executivo da escola, Noémia Brogueira, disse hoje à Lusa que adoptou aqueles procedimento na sequência das queixas que recebeu "recentemente" de duas encarregadas de educação de alunas da turma.
Noémia Brogueira explicou que já foi designado um inspector para o processo disciplinar e disse esperar que o caso seja "rapidamente" esclarecido.
A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) confirmou, através de um seu porta-voz, que está ao corrente dos factos, confirmou a suspensão da professora mas não adiantou esclarecimentos adicionais em tempo útil. O presidente do Associação de Pais, José Carvalhinho, disse não ter sido informado do caso."
In Público.PT, 18-05-09.
Meus caros, não compreendo a polémica. Quando se fala na distribuição gratuita de preservativos nas escolas secundárias, virem com falsas moralidades penalizar uma professora que apenas referiu algo bem real, e tara de muitos... Não compreendo. Até porque os pré-adolescentes e adolescentes de hoje estão mais bem informados do assunto do que eu alguma vez pensaria estar na idade deles.
Os gregos eram bem sabidos na matéria, e era prática corrente e naturalmente aceitável. Não estou a apoiar a atitude - até porque desconheço o contexto em que tal terá ocorrido -, mas cada vez mais se sabe da inoperância dos encarregados de educação na vida escolar e familiar dos meninos e o pudor cada vez mais fingido que tal atitude encobre: muitas horas são passadas on-line em sites porno com a condescendência dos papás (fazendo os papás também umas visitinhas à socapa, para animar a malta), sempre demasiado ocupados ao invés de falar aos meninos sobre práticas orgiásticas e afins (quando muitos as praticam). Sendo o sentido natural do sexo deturpado, tudo o resto é doentio, inclusive a moral... Podre.
Se soubessem que eu sei que há meninos que nem a própria pilinha conseguem desenhar, por vergonha, mas que sabem de tudo o resto...
Uma professora da Escola Básica 2,3 Sá Couto, de Espinho, está suspensa e enfrenta um processo disciplinar na sequência de alegadas alusões a orgias sexuais, durante uma aula, gravadas em áudio por uma educanda.
A presidente do Conselho Executivo da escola, Noémia Brogueira, disse hoje à Lusa que adoptou aqueles procedimento na sequência das queixas que recebeu "recentemente" de duas encarregadas de educação de alunas da turma.
Noémia Brogueira explicou que já foi designado um inspector para o processo disciplinar e disse esperar que o caso seja "rapidamente" esclarecido.
A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) confirmou, através de um seu porta-voz, que está ao corrente dos factos, confirmou a suspensão da professora mas não adiantou esclarecimentos adicionais em tempo útil. O presidente do Associação de Pais, José Carvalhinho, disse não ter sido informado do caso."
In Público.PT, 18-05-09.
Meus caros, não compreendo a polémica. Quando se fala na distribuição gratuita de preservativos nas escolas secundárias, virem com falsas moralidades penalizar uma professora que apenas referiu algo bem real, e tara de muitos... Não compreendo. Até porque os pré-adolescentes e adolescentes de hoje estão mais bem informados do assunto do que eu alguma vez pensaria estar na idade deles.
Os gregos eram bem sabidos na matéria, e era prática corrente e naturalmente aceitável. Não estou a apoiar a atitude - até porque desconheço o contexto em que tal terá ocorrido -, mas cada vez mais se sabe da inoperância dos encarregados de educação na vida escolar e familiar dos meninos e o pudor cada vez mais fingido que tal atitude encobre: muitas horas são passadas on-line em sites porno com a condescendência dos papás (fazendo os papás também umas visitinhas à socapa, para animar a malta), sempre demasiado ocupados ao invés de falar aos meninos sobre práticas orgiásticas e afins (quando muitos as praticam). Sendo o sentido natural do sexo deturpado, tudo o resto é doentio, inclusive a moral... Podre.
Se soubessem que eu sei que há meninos que nem a própria pilinha conseguem desenhar, por vergonha, mas que sabem de tudo o resto...
domingo, 17 de maio de 2009
Bloody Sunday
Mais um domingo no meio de papelada, mais um domingo a ver o sol cumprir o seu trajecto lá fora. Mais um domingo em que nada de jeito se escreve por aqui: as energias mentais canalizadas para outras escritas, para outras reflexões.
A complexidade do assunto no qual me debruço - Inquisição, judaísmo, Concílio de Trento, etc. - leva-me a que por vezes me perca em leituras: hoje foi um desses dias. Vários são os relatos dos procedimentos inquisitoriais instituídos gradualmente a partir de 1564, verdadeiros rituais em que o terror era espectáculo, um primeiro holocausto representativo do desdém que a população portuguesa mantinha pela comunidade judaica. Muitos são os que preferem esquecer esse lado negro da História do país, o ódio que os abastados judeus/cristãos-novos e a sua ânsia por riqueza despoletavam nas gentes, desde os primeiros tempos da monarquia. Conhecido ficou o Massacre de Lisboa - ainda antes de todos os outros levados a cabo pela Inquisição -, tragédia sucedida a um domingo, 19 de Abril de 1506, do qual aqui vos deixo um trecho do relato de Damião de Góis, cronista de D. Manuel I:
«No mosteiro de São Domingos da dita cidade estava uma capela a que chamava de Jesus, e nela um crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que davam cor de milagre, com quanto os que na igreja se acharam julgavam ser o contrário dos quais um cristão-novo disse que lhe parecia uma candeia acesa que estava posta no lado da imagem de Jesus, o que ouvindo alguns homens baixos o tiraram pelos cabelos de arrasto para fora da igreja, e o mataram, e queimaram logo o corpo no Rossio. Ao qual alvoroço acudiu muito povo, a quem um frade fez uma pregação convocando-os contra os cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro, com um crucifixo nas mãos bradando, heresia, heresia, o que imprimiu tanto em muita gente estrangeira, popular, marinheiros de naus, que então vieram da Holanda, Zelândia, e outras partes, ali homens da terra, da mesma condição, e pouca qualidade, que juntos mais de quinhentos, começaram a matar todos os cristãos-novos que achavam pelas ruas, …tirando-os delas de arrasto pelas ruas, com seus filhos, mulheres, e filhas, os lançavam de mistura vivos e mortos nas fogueiras, sem nenhuma piedade, e era tamanha a crueza que até nos meninos, e nas crianças que estavam no berço a executavam, tomando-os pelas pernas fendendo-os em pedaços, e esborrachando-os de arremesso nas paredes. …tornaram terça-feira este danados homens a prosseguir a sua crueza, mas não tanto quanto nos outros dias porque já não achavam quem matar, pois todos os cristãos-novos que escaparam desta tamanha fúria, serem postos a salvo por pessoas honradas, e piedosas que nisto trabalharam tudo o que neles foi.»
Conseguirá a nossa memória não esquecer tal legado?
A complexidade do assunto no qual me debruço - Inquisição, judaísmo, Concílio de Trento, etc. - leva-me a que por vezes me perca em leituras: hoje foi um desses dias. Vários são os relatos dos procedimentos inquisitoriais instituídos gradualmente a partir de 1564, verdadeiros rituais em que o terror era espectáculo, um primeiro holocausto representativo do desdém que a população portuguesa mantinha pela comunidade judaica. Muitos são os que preferem esquecer esse lado negro da História do país, o ódio que os abastados judeus/cristãos-novos e a sua ânsia por riqueza despoletavam nas gentes, desde os primeiros tempos da monarquia. Conhecido ficou o Massacre de Lisboa - ainda antes de todos os outros levados a cabo pela Inquisição -, tragédia sucedida a um domingo, 19 de Abril de 1506, do qual aqui vos deixo um trecho do relato de Damião de Góis, cronista de D. Manuel I:
«No mosteiro de São Domingos da dita cidade estava uma capela a que chamava de Jesus, e nela um crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que davam cor de milagre, com quanto os que na igreja se acharam julgavam ser o contrário dos quais um cristão-novo disse que lhe parecia uma candeia acesa que estava posta no lado da imagem de Jesus, o que ouvindo alguns homens baixos o tiraram pelos cabelos de arrasto para fora da igreja, e o mataram, e queimaram logo o corpo no Rossio. Ao qual alvoroço acudiu muito povo, a quem um frade fez uma pregação convocando-os contra os cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro, com um crucifixo nas mãos bradando, heresia, heresia, o que imprimiu tanto em muita gente estrangeira, popular, marinheiros de naus, que então vieram da Holanda, Zelândia, e outras partes, ali homens da terra, da mesma condição, e pouca qualidade, que juntos mais de quinhentos, começaram a matar todos os cristãos-novos que achavam pelas ruas, …tirando-os delas de arrasto pelas ruas, com seus filhos, mulheres, e filhas, os lançavam de mistura vivos e mortos nas fogueiras, sem nenhuma piedade, e era tamanha a crueza que até nos meninos, e nas crianças que estavam no berço a executavam, tomando-os pelas pernas fendendo-os em pedaços, e esborrachando-os de arremesso nas paredes. …tornaram terça-feira este danados homens a prosseguir a sua crueza, mas não tanto quanto nos outros dias porque já não achavam quem matar, pois todos os cristãos-novos que escaparam desta tamanha fúria, serem postos a salvo por pessoas honradas, e piedosas que nisto trabalharam tudo o que neles foi.»
Damião de Góis, Chronica do Felicissimo Rey D. Emanuel da Gloriosa Memória (1566-1567).
Conseguirá a nossa memória não esquecer tal legado?
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Smoke
Desde quando cachimbos para fumar ópio são objecto de estudo artístico de uma tese?
É verdade... Ontem, logo pela manhã, assisti à apresentação de uma tese acerca de uma colecção de cachimbos para fumar ópio, que existe num instituto deste nosso burgo. Sim, parece que nós por aqui temos disso. Onde anda a arte da coisa, é que sinceramente não sei.
Estava eu ainda a carburar, com a cafeína a iniciar o seu efeito benéfico, e já a palavra ópio latejava no meu cérebro. Aprendi as técnicas todas, relação entre cachimbos e fornilhos, o seu efeito socializante (bom para casais desavindos, na certa), para além da forma como é preparado e consequentemente fumado, deitadinha e tal... Há por aqui muita papoila, é só uma questão de experimentar se tem seiva e se faz fumo. Bem que precisava de uma cachimbada da paz... Assim:

Há gente que até no fumo vê arte.
É verdade... Ontem, logo pela manhã, assisti à apresentação de uma tese acerca de uma colecção de cachimbos para fumar ópio, que existe num instituto deste nosso burgo. Sim, parece que nós por aqui temos disso. Onde anda a arte da coisa, é que sinceramente não sei.
Estava eu ainda a carburar, com a cafeína a iniciar o seu efeito benéfico, e já a palavra ópio latejava no meu cérebro. Aprendi as técnicas todas, relação entre cachimbos e fornilhos, o seu efeito socializante (bom para casais desavindos, na certa), para além da forma como é preparado e consequentemente fumado, deitadinha e tal... Há por aqui muita papoila, é só uma questão de experimentar se tem seiva e se faz fumo. Bem que precisava de uma cachimbada da paz... Assim:

Há gente que até no fumo vê arte.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Id
De volta à capital do desespero.
Provavelmente alguns de vocês já devem ter ouvido falar de ataques de pânico. Uma das doenças da moda, que dizem associadas ao stress, mas que de todo não é verdade.
A mente humana cria mecanismos de protecção, quando algo a incomoda: certos gestos rituais que muitos de nós consideramos rotineiros, mas que deixam transparecer facilmente a origem de um medo, o receio de algo – lavar as mãos frequentemente, ajeitar a almofada à noite sempre da mesma forma, estalar os dedos quando se está nervosa, roer as unhas, alguns tiques, etc, etc, etc. As chamadas compulsões ou neuroses. São libertadoras de tensões, de pressões que desestabilizam o equilíbrio da estrutura, e são saudáveis na medida em que regulam o mesmo.
A isto encontra-se subjacente o recalcamento: nós não nos lembramos conscientemente do que terá originado tais reacções, mas as origens estão lá, constantemente latentes, à espera de serem libertadas. Quando a pressão é muita, a estrutura mental não consegue por vezes dar vazão a toda uma pulsão, e tal pode ser factor de origem de patologias psíquicas se a mente – como lugar das três entidades inconsciente, subconsciente e consciente – não for saudável, ou seja, se não for equilibrada. Quando a mente é saudável, é o corpo que paga. E manifesta-se sob a forma dos chamados ataques de pânico.
Hoje tive um. Pânico não será o termo mais indicado, dada a força do mesmo. Terror é o correcto. Sequelas de um esgotamento nervoso que tive há uns anos, e cuja frequência foi diminuindo ao longo do tratamento e ao longo do tempo. Um esgotamento que me levou parte da concentração, parte da memória, partes de mim, que me deixou mentalmente frágil. Um pânico do qual pensava já estar curada. Mas não. Vinha de viagem, sozinha. O medo manifestou-se sem aviso, no corpo. Sozinha, no meio de estranhos. A dor no peito, o suor, o ataque cardíaco de uma morte anunciada que nunca mais chegava, o desespero. Inexplicável para quem nunca passou por essa situação – houve tempos em que perdi a conta. Algo me incomoda, muito aliás. E eu sei o que é, mas o problema é que prefiro não saber. Recalco. Aguento até rebentar. Hoje rebentei.
A minha melhor amiga diz-me que os pânicos são ondas, vão e vêm. Não têm cura, podem é não manifestar-se por longos períodos de tempo. São o medo de ter medo. Medo é aliás a melhor palavra que os caracteriza: do antes e do depois. Perdi a fé, assumo. Em muita coisa. Aqui está o grande problema.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Changes
Daqui em diante... "Vou dar a cara".
Já há algum tempo que pensava - e repensava - acerca do dilema de divulgar a minha imagem por aqui. Afinal, este é um espaço meu, é a minha identidade (ou parte dela, ok, whatever). Mas a verdade é que sempre tive uma péssima relação com a minha imago, e no que toca a fotografias, como instante parado no tempo que são, incomodam-me. Sempre achei que a memória, ao ser estimulada apenas por estes cliques, se tornava preguiçosa... E a mente deve estar em constante mutação e crescimento, pelo que olhar para uma foto me mantém estagnada no tempo. E eu não quero viver de memórias, mas sim coabitar com elas. Mas isto são apenas parvoíces minhas... Acho.
A nível pessoal, é-me difícil estabelecer relações de forma rápida; e por aqui tenho mantido uma abertura bastante saudável, com as pessoas que regularmente me visitam. É para elas - para vocês - que me manifesto.
Foto e email... Num só gesto.
Já há algum tempo que pensava - e repensava - acerca do dilema de divulgar a minha imagem por aqui. Afinal, este é um espaço meu, é a minha identidade (ou parte dela, ok, whatever). Mas a verdade é que sempre tive uma péssima relação com a minha imago, e no que toca a fotografias, como instante parado no tempo que são, incomodam-me. Sempre achei que a memória, ao ser estimulada apenas por estes cliques, se tornava preguiçosa... E a mente deve estar em constante mutação e crescimento, pelo que olhar para uma foto me mantém estagnada no tempo. E eu não quero viver de memórias, mas sim coabitar com elas. Mas isto são apenas parvoíces minhas... Acho.
A nível pessoal, é-me difícil estabelecer relações de forma rápida; e por aqui tenho mantido uma abertura bastante saudável, com as pessoas que regularmente me visitam. É para elas - para vocês - que me manifesto.
Foto e email... Num só gesto.
domingo, 10 de maio de 2009
Onde está o Wally?

Eu estive lá! No local mais apetecível de um bar: o canto! Apanhada em flagrante (ou melhor, de copo na mão...).
A minha primeira foto pública... Encontrada num dos MySpaces dos senhores munidos de máquina fotográfica. A preguiça deu para a coscuvilhice.
Por esta não esperava eu.
Esta foto foi retirada do MySpace do dito senhor... Terei que lá passar para um Obrigada, pelo momento de fama.
A minha primeira foto pública... Encontrada num dos MySpaces dos senhores munidos de máquina fotográfica. A preguiça deu para a coscuvilhice.
Por esta não esperava eu.
Esta foto foi retirada do MySpace do dito senhor... Terei que lá passar para um Obrigada, pelo momento de fama.
on the edge
Hoje o dia é de preguiça, a doce e confortável preguiça. Desligo o interruptor e deixo-me ir, pelos campos do nada. Nada quero, nada penso, simplesmente não existo. Fico em stand by. Uma forma eficaz - e barata - de recarregar baterias.
Há muito tempo que esperava um dia assim. O limite andava perto... Amanhã o estímulo estará de volta.
Há muito tempo que esperava um dia assim. O limite andava perto... Amanhã o estímulo estará de volta.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Música Pirata

A música é, para mim, remédio santo. Não é que me lave as mágoas, mas liberta-me momentaneamente delas.
Ontem peguei num amigo, e rumámos ao MusicBox. Programa da noite: Gazua e Revolta. Um dos desaires do cancelamento do concerto dos UK Subs - que aqui publicitei - foi não ter visto os Gazua ao vivo. Ontem a confirmação chegou, finalmente: simplesmente geniais. Tive oportunidade de falar com o vocalista, após o concerto, e fiquei bastante admirada perante a humildade. A própria actuação foi despretensiosa, sem qualquer tipo de vedetismo, algo já tão próprio de uma qualquer banda que se imiscue por aí; mas foi de uma qualidade assombrosa. Até o meu amigo, que não gosta nada de punk rock and so on, disse "Estes gajos põem os Xutos ou quaisquer outros a um canto". Concordo em absoluto, e subscrevo (eu não aprecio os Xutos, em nada).
Apresentaram o novo álbum "Música Pirata", o qual poderão escutar no MySpace da banda.
A Revolta também apresentou o novo álbum "Ninguém manda em ti", mas como conheço pessoalmente um dos elementos da banda, qualquer análise da minha parte seria tudo menos imparcial... Acho!
E, para uma noite em beleza, em muito contribuiu a empregada do balcão... Extremamente generosa na ginja!
Gazua MySpace
Revolta MySpace
A todos os que por aqui passaram, por ocasião do meu post anterior... Obrigada.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
No words.
I was born with the wrong sign
In the wrong house
With the wrong ascendancy
I took the wrong road
That led to the wrong tendencies
I was in the wrong place at the wrong time
For the wrong reason and the wrong rhyme
On the wrong day of the wrong week
I used the wrong method with the wrong technique
[Depeche Mode, Wrong]
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