terça-feira, 12 de maio de 2009
Id
De volta à capital do desespero.
Provavelmente alguns de vocês já devem ter ouvido falar de ataques de pânico. Uma das doenças da moda, que dizem associadas ao stress, mas que de todo não é verdade.
A mente humana cria mecanismos de protecção, quando algo a incomoda: certos gestos rituais que muitos de nós consideramos rotineiros, mas que deixam transparecer facilmente a origem de um medo, o receio de algo – lavar as mãos frequentemente, ajeitar a almofada à noite sempre da mesma forma, estalar os dedos quando se está nervosa, roer as unhas, alguns tiques, etc, etc, etc. As chamadas compulsões ou neuroses. São libertadoras de tensões, de pressões que desestabilizam o equilíbrio da estrutura, e são saudáveis na medida em que regulam o mesmo.
A isto encontra-se subjacente o recalcamento: nós não nos lembramos conscientemente do que terá originado tais reacções, mas as origens estão lá, constantemente latentes, à espera de serem libertadas. Quando a pressão é muita, a estrutura mental não consegue por vezes dar vazão a toda uma pulsão, e tal pode ser factor de origem de patologias psíquicas se a mente – como lugar das três entidades inconsciente, subconsciente e consciente – não for saudável, ou seja, se não for equilibrada. Quando a mente é saudável, é o corpo que paga. E manifesta-se sob a forma dos chamados ataques de pânico.
Hoje tive um. Pânico não será o termo mais indicado, dada a força do mesmo. Terror é o correcto. Sequelas de um esgotamento nervoso que tive há uns anos, e cuja frequência foi diminuindo ao longo do tratamento e ao longo do tempo. Um esgotamento que me levou parte da concentração, parte da memória, partes de mim, que me deixou mentalmente frágil. Um pânico do qual pensava já estar curada. Mas não. Vinha de viagem, sozinha. O medo manifestou-se sem aviso, no corpo. Sozinha, no meio de estranhos. A dor no peito, o suor, o ataque cardíaco de uma morte anunciada que nunca mais chegava, o desespero. Inexplicável para quem nunca passou por essa situação – houve tempos em que perdi a conta. Algo me incomoda, muito aliás. E eu sei o que é, mas o problema é que prefiro não saber. Recalco. Aguento até rebentar. Hoje rebentei.
A minha melhor amiga diz-me que os pânicos são ondas, vão e vêm. Não têm cura, podem é não manifestar-se por longos períodos de tempo. São o medo de ter medo. Medo é aliás a melhor palavra que os caracteriza: do antes e do depois. Perdi a fé, assumo. Em muita coisa. Aqui está o grande problema.
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8 comentários:
Este fim-de-semana a formação que fui dar foi na área de gestão de stress. E abordei as fobias sociais, os síndromes de pânico e ansiedade patológica como sintomas extremos de stress, mas, neste caso, não do stress generalista que vivemos no dia-a-dia, resultante, regra geral de muito trabalho e/ou de vidas pessoais em conflito e ambiguidade, mas o que resulta de algum acontecimento que pode ter um impacto profundo na nossa vida. Não domino essa área, até porque a minha vertente não é clínica (mas sim social e das organizações) mas posso dar dois conselhos, um dos quais julgo que já dei anteriormente: hipnoterapia. O outro: sessões de relaxamento, que visam não só a procura de um estado de equílibrio entre o corpo e a mente, mas também o podermos ganhar meios e técnicas para controlarmos as nossas reacções e podermos reprogramar a nossa mente. Há ainda uma técnica interessante - a programação neurolinguística, relacionada com isso mesmo - o reprogramar os nossos pensamentos/emoções, através do poder da palavra.
Tenho a certeza que tudo vai ficar bem. Só pode.
Não há forma de dizer o que penso. Fico-me por isso mesmo, pelo silência - e estanco. De certa forma - e nunca será o mesmo - faço-o por solidariedade.
BJ.
Bê,
Foi "reprogramando" o meu cérebro que consegui controlar a crise... Repentindo a mesma lenga-lenga vezes sem conta, até conseguir controlar. É difícil de explicar o que se sente, até mesmo a um clínico, algo que já tentei.
De resto... Dormi mal, hoje dói-me a cabeça, e a dor no peito teima em surgir. Mas já estou acompanhada pelos meus "amigos" livros, se me concentrar julgo que a mente "apaga" o pânico temporariamente.
Hipnoterapia... Acho que tenho receio. Acho que o que precisava realmente neste momento era tentar encontrar a fé algures perdida...
;)
Treze,
Obrigada pela solidariedade... O silêncio às vezes vale mais que mil palavras. O que interessa realmente, nestes momentos, é saber que alguém está lá. Daí ter tomado coragem e ter falado disto, aqui.
;)
Maria, espero que esteja tudo bem por aí. Tanto silêncio faz-me ficar preocupada.
Aproveito para referir que em relação a uma "discussão" que tivemos por aqui, sobre os blogguers, finalmente senti na pele as consequências de ter a ousadia de discordar de alguém. Porque discordei de alguém (uma das mais "famosas") fui criticada no seu blog e, consequentemente no meu, por (talvez estupidamente) ter tido a ousadia de referir o tema no meu. E fiquei bem desiludida com a blogesfera. O mais engraçado é que quem fala mal, quem critica, se esconde atrás do anonimato.
acho que vim aqui desabafar - fizeram-me falta as palavras sábias lá pelo cantinho ;)
Bom fim-de-semana!
E tudo uma questão de cabecinha e nós fazemos com ela o que queremos, basta querer... só tive uma vez um ataque de pânico ou crise de ansiedade... estava numa situação gatilho!
AGOROFOBIA!
Olá. Isto é o que acontece quando uma pessoa se mete com a Arte... Enfim, uma situação complicada, mas confio que vais ter força e tentar não ter medo do medo.
Aproveita o fim de semana, abraça do teu cão, lê um bom livro, canta, pinta, e essencialmente vive o melhor do que se te oferece!
bjos
jorge (o que é teu colega e tal)
ps- não faças como eu, bater com a cabeça nas paredes aleija.
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