sábado, 21 de Novembro de 2009
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Diga trinta e três...
Pois é… Hoje chego à idade da Farinha 33.
Comi algumas papas desta farinha em pequena, com uma casquinha de limão que as tornavam num regalo. Faziam crescer, diziam… Agora que cheguei à idade da dita farinha, posso dizer que me sinto realmente crescida.
Acredito - e sinto - que 33 anos é o sinónimo da maturidade. Sinto isso no pensamento e no sentimento. Agora tudo se vislumbra claro, sereno e especial. Creio que é este o culminar de todo um crescimento - com muitas alegrias mas também com muitos e dolorosos trambolhões -, que agora sei que começará a dar os seus frutos.
A melhor prenda que poderia receber já a dei a mim própria: ver os Depeche Mode. Como não sou materialista, pouco ligo ao facto de receber prendas… Mas algo de mais simbólico toca-me profundamente neste dia: existirem pessoas que se lembram. Que me recordam que não sou esquecida - a família, os amigos (poucos, mas muito bons), e todos aqueles outros que se vão cruzando no meu caminho.
Neste dia, para mim e apenas uma palavra: Parabéns.
P.S.: E a mãezinha já tratou do bolinho!
Comi algumas papas desta farinha em pequena, com uma casquinha de limão que as tornavam num regalo. Faziam crescer, diziam… Agora que cheguei à idade da dita farinha, posso dizer que me sinto realmente crescida.
Acredito - e sinto - que 33 anos é o sinónimo da maturidade. Sinto isso no pensamento e no sentimento. Agora tudo se vislumbra claro, sereno e especial. Creio que é este o culminar de todo um crescimento - com muitas alegrias mas também com muitos e dolorosos trambolhões -, que agora sei que começará a dar os seus frutos.
A melhor prenda que poderia receber já a dei a mim própria: ver os Depeche Mode. Como não sou materialista, pouco ligo ao facto de receber prendas… Mas algo de mais simbólico toca-me profundamente neste dia: existirem pessoas que se lembram. Que me recordam que não sou esquecida - a família, os amigos (poucos, mas muito bons), e todos aqueles outros que se vão cruzando no meu caminho.
Neste dia, para mim e apenas uma palavra: Parabéns.
P.S.: E a mãezinha já tratou do bolinho!
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Meus... Só meus! - Take 2
Que poderei dizer, para além de afirmar a pés juntos que foi um dos grandes momentos da minha vida?
Horas de espera que se avizinhavam longas, mas uma ideia perdurava: eles estavam perto. A minha modéstia inata nunca me permitiu pensar, há longos anos atrás, que este acontecimento seria possível… Mas ei-lo que foi, um momento carregado de muita adrenalina, emoções e recordações. Para a vida toda.
Decidimos ficar logo à frente, e por iniciativa minha do lado do palco onde sabia que estaria o Martin (who else…?). Desde estarmos sentados no chão, até nos revezarmos para guardar lugar, ao sujeitarmo-nos ao hálito carregado de cerveja de uns espanhóis e ingleses que se abeiraram, aos odores a sovaco e afins, tudo suportámos e aguentámos firmemente, ali. Os minutos foram contados… Até à exaustão.
Confesso que achei a banda que foi escolhida pelos votantes para a primeira parte um verdadeiro fiasco. Muito má para animar as hostes, e atrevo-me a dizer que a presença foi até algo ofensiva para quem já se tinha esfolado tanto para ali estar. Quando o vocalista, muito seguro de si, se voltou para o público e disse "Espero que continuem a apoiar a música portuguesa" pensei "Então porque raio cantas em inglês?"… Um paradoxo que não lembra a ninguém… E nem mesmo com esse argumento me fizeram mexer um músculo.
Os meus olhos finalmente brilharam quando no stage se fez luz. E um canto divino ecoou nos meus ouvidos quando vi o Martin, com uma indumentária que ainda o fazia brilhar mais aos meus olhos: playing the angel, absolutely. O Dave no seu melhor, fazendo questão de espicaçar o público com os seus movimentos rotativos da zona sacral, enquanto acariciava lascivamente os ditos (e as doidas que estavam à minha beira que o digam, pela histeria que se ali formou…). Sensualidade pura e dura, da melhor qualidade pela qual o Dave sempre primou (o colete foi desapertado, sim EU VI!).
Momentos altos: o clássico "Enjoy the Silence", "World in my Eyes", "Hole to Feed", "Stripped" e a minha "Behind the Wheel". Momentos mais que altos, que me elevaram ao Céu de asinhas postas: a performance do Martin na "Home" e na "One Caress". Muita pena tive por não terem tocado a "Peace", a "Everything Counts" e a "Shake the Disease", mas valeu a "Fly on the Windscreen". Porém continuo a pensar que deveria o espectáculo ter terminado com a "Just can´t get enough"...
Para mais tarde recordar. Muito e sempre. Até à próxima.

Sim... A vozinha cútchi cútchi que se ouve em segundo plano é a minha. Assim já para o cansada e consequentemente algo esganiçada. It doesn't matter.
Horas de espera que se avizinhavam longas, mas uma ideia perdurava: eles estavam perto. A minha modéstia inata nunca me permitiu pensar, há longos anos atrás, que este acontecimento seria possível… Mas ei-lo que foi, um momento carregado de muita adrenalina, emoções e recordações. Para a vida toda.
Decidimos ficar logo à frente, e por iniciativa minha do lado do palco onde sabia que estaria o Martin (who else…?). Desde estarmos sentados no chão, até nos revezarmos para guardar lugar, ao sujeitarmo-nos ao hálito carregado de cerveja de uns espanhóis e ingleses que se abeiraram, aos odores a sovaco e afins, tudo suportámos e aguentámos firmemente, ali. Os minutos foram contados… Até à exaustão.
Confesso que achei a banda que foi escolhida pelos votantes para a primeira parte um verdadeiro fiasco. Muito má para animar as hostes, e atrevo-me a dizer que a presença foi até algo ofensiva para quem já se tinha esfolado tanto para ali estar. Quando o vocalista, muito seguro de si, se voltou para o público e disse "Espero que continuem a apoiar a música portuguesa" pensei "Então porque raio cantas em inglês?"… Um paradoxo que não lembra a ninguém… E nem mesmo com esse argumento me fizeram mexer um músculo.
Os meus olhos finalmente brilharam quando no stage se fez luz. E um canto divino ecoou nos meus ouvidos quando vi o Martin, com uma indumentária que ainda o fazia brilhar mais aos meus olhos: playing the angel, absolutely. O Dave no seu melhor, fazendo questão de espicaçar o público com os seus movimentos rotativos da zona sacral, enquanto acariciava lascivamente os ditos (e as doidas que estavam à minha beira que o digam, pela histeria que se ali formou…). Sensualidade pura e dura, da melhor qualidade pela qual o Dave sempre primou (o colete foi desapertado, sim EU VI!).
Momentos altos: o clássico "Enjoy the Silence", "World in my Eyes", "Hole to Feed", "Stripped" e a minha "Behind the Wheel". Momentos mais que altos, que me elevaram ao Céu de asinhas postas: a performance do Martin na "Home" e na "One Caress". Muita pena tive por não terem tocado a "Peace", a "Everything Counts" e a "Shake the Disease", mas valeu a "Fly on the Windscreen". Porém continuo a pensar que deveria o espectáculo ter terminado com a "Just can´t get enough"...
Para mais tarde recordar. Muito e sempre. Até à próxima.
Sim... A vozinha cútchi cútchi que se ouve em segundo plano é a minha. Assim já para o cansada e consequentemente algo esganiçada. It doesn't matter.
domingo, 15 de Novembro de 2009
Meus... Só meus!
A dona do estaminé, com o seu mano mais velho.
O meu Martin.
Os meus Martin e Dave.
O meu Dave.
O meu Martin.
Os meus Martin, Dave e Andrew.
O meu Martin.
O meu Martin.
Os meus Martin, Dave e Andrew.
O meu Martin.
Final.
Amanhã conto tudo... Tudinho. Até porque nesta noite eles foram meus, e de mais mais uma porrada de gente que ali cantava em uníssono. Foi esta a melhor prenda de aniversário antecipada, de mim para mim, de toda a minha vida.
domingo, 8 de Novembro de 2009
Ahhhh... Esta canção é como um bálsamo para o espírito!
Breve, breve, o desejo irá ser realizado. Já só faltam uns seis dias... E umas tantas horas.
E xôôôô pragas, invejas, e outras coisas bem más que tais...
Breve, breve, o desejo irá ser realizado. Já só faltam uns seis dias... E umas tantas horas.
E xôôôô pragas, invejas, e outras coisas bem más que tais...
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
... É só fazer as contas.
Sempre fui boa aluna, a todas as disciplinas. No entanto, no meu 7º ano de escolaridade e por razões que me foram exteriores, o bicho papão da Matemática começou a fazer das suas: hoje falarem-me em inequações, funções e outros ões que mais põem-me os cabelos em pé. E este fantasma volta sempre que me deparo com as contas do nosso Governo, o Bicho Papão com maiúsculas.
Passo a explicar: ontem foi anunciado, com pompa e circunstância, um aumento de 1,25% para as pensões mais baixas, e outro de 1,00% para as pensões mais altas. Ora, fazendo eu as contas, e sendo esse valor calculado sobre o valor da reforma, estarei eu enganada se disser que o anunciado aumento continuará a ser maior para as pensões maiores...? É que a diferença de 0,25% que separa ambos os casos não faz, pelos meus cálculos, grande diferença: nem para uma carcaça dará, para praticamente todos os baixos abonados.
Expliquem-me, expliquem-me... Que nisto o Governo faz-me sentir mesmo muito burra.
Passo a explicar: ontem foi anunciado, com pompa e circunstância, um aumento de 1,25% para as pensões mais baixas, e outro de 1,00% para as pensões mais altas. Ora, fazendo eu as contas, e sendo esse valor calculado sobre o valor da reforma, estarei eu enganada se disser que o anunciado aumento continuará a ser maior para as pensões maiores...? É que a diferença de 0,25% que separa ambos os casos não faz, pelos meus cálculos, grande diferença: nem para uma carcaça dará, para praticamente todos os baixos abonados.
Expliquem-me, expliquem-me... Que nisto o Governo faz-me sentir mesmo muito burra.
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Toxic
Ora, hoje que dispensei algum do meu tempo a dar uma volta pela blogosfera, dou de caras - e não foi necessário esforçar-me sequer - com mais uma blogospolémica recambolesca, que se poderá resumir confrontando este post aqui com este acolá.
Não venho aqui lançar achas para a fogueira - quem sou eu, humilde bloguista com 8 supostos seguidores (mais os amigos), que muitas vezes não escreve nada de jeito, sendo apenas uma entre os demais -, mas... Pelo amor do Divino, cada vez mais julgo que na blogosfera é necessária uma desintoxicação. Urgente e séria.
Como bem canta a Aretha, ... a little respect..., meus caros(as), ... a little respect.
Não venho aqui lançar achas para a fogueira - quem sou eu, humilde bloguista com 8 supostos seguidores (mais os amigos), que muitas vezes não escreve nada de jeito, sendo apenas uma entre os demais -, mas... Pelo amor do Divino, cada vez mais julgo que na blogosfera é necessária uma desintoxicação. Urgente e séria.
Como bem canta a Aretha, ... a little respect..., meus caros(as), ... a little respect.

Imagem retirada de olamtagv.wordpress.com/2008/11/
28 de Novembro de 1908 - 31 de Outubro de 2009.
Foi com consternação que ontem vi a notícia da morte de Claude Lévi-Strauss. Vários foram os livros que li da sua autoria, e sobre mim o seu pensamento exerceu grande e profunda influência. Na bonita idade de 100 anos deixou o mundo e os homens que tanto tentou compreender... Sem dúvida agora mais pobres.
Although I am going to talk about what I have written, my books and papers and so on, unfortunately I forget what I have written practically as soon as it is finished. There is probably going to be some trouble about that. But nevertheless I think there is also something significant about it, in that I don't have the feeling that I write my books. I have the feeling that my books get written through me and that once they have got across me I feel empty and nothing is left.
Memória e livros. Para sempre.
28 de Novembro de 1908 - 31 de Outubro de 2009.
Foi com consternação que ontem vi a notícia da morte de Claude Lévi-Strauss. Vários foram os livros que li da sua autoria, e sobre mim o seu pensamento exerceu grande e profunda influência. Na bonita idade de 100 anos deixou o mundo e os homens que tanto tentou compreender... Sem dúvida agora mais pobres.
Although I am going to talk about what I have written, my books and papers and so on, unfortunately I forget what I have written practically as soon as it is finished. There is probably going to be some trouble about that. But nevertheless I think there is also something significant about it, in that I don't have the feeling that I write my books. I have the feeling that my books get written through me and that once they have got across me I feel empty and nothing is left.
Claude Lévi-Strauss, Myth and Meaning, Routledge Classics, 2001, p. 1.
Memória e livros. Para sempre.
terça-feira, 27 de Outubro de 2009

E porque os livros são, para mim, como o ar que respiro, eis que o meu mano mais velho - de tempos em tempos, lá se vai lembrando desta minha dependência - me presenteou hoje com este livrinho ainda fresquinho nos escaparates (e não, não vou ler apenas para fazer pirraça ao Saramago: o Lobo Antunes é dos poucos autores portugueses que aprecio). Portanto, os próximos dias já não se vislumbram tão boooring (eu sei... Raios me partam, que ainda hoje a mãezinha me perguntou quando volto a pegar nos pincéis...).
sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Versus
Hoje recebi mais um email acerca da pseudo-polémica gerada à volta da Maitê Proença. E recebi um outro, da Livraria Bertrand, a divulgar o livro do autor contemplado com o prémio da Fundação Saramago. Ambos originaram por aqui um dilema: será que vale a pena pensar acerca disto? E o um-dó-li-tá irá contemplar qual?
Saramago. E porquê? Dado o debate de hoje tão divulgado e o assunto já tão esmiúçado pelos media - há que alimentar os sensacionalismos deste nosso pequeno rectângulo, como a Judite de Sousa bem provou ontem -, gostaria de deixar uma singela opinião acerca do homem... Porque, afinal, ele com o que profere limita-se a ser mais um. A Maitê apenas se limitou a fazer o que nós, vergonhosamente, deixamos fazer.
Não vou criticar o Saramago. Nem me interessa, assim como não me interessa nem me preenche o que ele escreve. Alguns defendem que o senhor escreve mal - o que não deixa de ser algo verdadeiro -, mas tal revela-se tão válido como alguns blogues que teimam em existir por aí, que fazem uso de um português tão mau que me faz perguntar se será ainda a língua-mãe ensinada nas escolas, ou um dialecto extraterrestre qualquer, de uma civilização atrasada anos-luz.
O grande acontecimento aqui foi que o senhor ganhou, há uns anos, o Nobel. Recordo-me disso. Recordo-me também que, antes de tal feito, era o senhor mui mal amado pelas hostes, não apenas pelo facto de professar o comunismo como também pelas afirmações anti-católicas que fazia. Mas veio o Nobel, e foi um ver se te avias a comprar livros do Saramago, passear livros do Saramago, comer livros do Saramago. Até agora nada de especial, pois esta atitude é típica do português, ávido por alguns laivos de orgulho... Volta o Saramago de vez em quando a dar o ar da sua graça, e voltam com ele as suas frases já feitas, mormente ligadas à Igreja Católica, com livros em que aborda temáticas católicas. Nada de novo.
Não me incomoda a atitude niilista do senhor: incomoda-me sim a aspereza de ser que nele sempre existiu. Não me incomoda ele ser comunista, incomoda-me ele fazer tábua rasa do facto das pessoas necessitarem de acreditar. A Bíblia - que foi um dos meus principais manuais de estudo nos últimos meses - é, acima de tudo, um livro histórico, escrito por pessoas como ele, inseridas apenas num espaço e num tempo diferentes. Como tudo na existência humana, se o Deus da Bíblia é cruel como refere, nada mais é que a ideia que o homem de então fazia de Deus - porque Deus é, acima de tudo, a ideia que o homem faz do estado que o transcende, à sua imagem e semelhança: faço uma ideia de Deus - o Sem-Nome - porque nunca o vi, nunca o materializei visualmente; mas transporto-o para uma realidade que me é reconhecível, a humana. Torno-o humano como eu, aproximando-o - cruelmente bom. Era assim que pensava o homem da altura. Gostaria mesmo de ver o Sr. Saramago a explicar, como tão bem sabe - ou pensa - fazer, a sua visão limitada da existência humana a um homem que entendia a sua realidade como uma constante teofania: seria apedrejado em praça pública até à morte, claro está.
Pode criticar sim a Igreja Católica enquanto instituição que é, formada por homens que não deixam de ser iguais a ele. Sabido é que a Igreja cometeu várias atrocidades ao longo da História, mas também não deixa de ser verdade que foram os homens que as cometeram. Homens como o Saramago. Quem é ele para criticar o comportamento dos semelhantes, quando ele apenas se limita a corrobar, pelas suas palavras, as suas atitudes? É que Deus, materializado ou não, nada tem a ver com isto, pois é a Ideia... A Bíblia, antes de ser a Palavra que os homens determinaram, é História vista pelos olhos de um ser humano que procurava uma razão de e para existir. E isto, conceito simples, ainda não é compreendido, e muito menos sabido, por muita gente, que por aí opinam no total vazio de conhecimento.
O que realmente me incomoda, no Sr. Saramago, é olhá-lo e ver ali uma pessoa que, após viver toda uma vida, ainda não conseguiu compreender que a existência humana é feita de todo um conjunto variado de facetas, de seres. Que na sua pluralidade merecem - e devem - ser respeitados e compreendidos. O que me incomoda é ver ali uma pessoa que viveu toda uma vida fechada sobre si mesma. E penso: eu não quero ser assim. Absolutamente.
Saramago. E porquê? Dado o debate de hoje tão divulgado e o assunto já tão esmiúçado pelos media - há que alimentar os sensacionalismos deste nosso pequeno rectângulo, como a Judite de Sousa bem provou ontem -, gostaria de deixar uma singela opinião acerca do homem... Porque, afinal, ele com o que profere limita-se a ser mais um. A Maitê apenas se limitou a fazer o que nós, vergonhosamente, deixamos fazer.
Não vou criticar o Saramago. Nem me interessa, assim como não me interessa nem me preenche o que ele escreve. Alguns defendem que o senhor escreve mal - o que não deixa de ser algo verdadeiro -, mas tal revela-se tão válido como alguns blogues que teimam em existir por aí, que fazem uso de um português tão mau que me faz perguntar se será ainda a língua-mãe ensinada nas escolas, ou um dialecto extraterrestre qualquer, de uma civilização atrasada anos-luz.
O grande acontecimento aqui foi que o senhor ganhou, há uns anos, o Nobel. Recordo-me disso. Recordo-me também que, antes de tal feito, era o senhor mui mal amado pelas hostes, não apenas pelo facto de professar o comunismo como também pelas afirmações anti-católicas que fazia. Mas veio o Nobel, e foi um ver se te avias a comprar livros do Saramago, passear livros do Saramago, comer livros do Saramago. Até agora nada de especial, pois esta atitude é típica do português, ávido por alguns laivos de orgulho... Volta o Saramago de vez em quando a dar o ar da sua graça, e voltam com ele as suas frases já feitas, mormente ligadas à Igreja Católica, com livros em que aborda temáticas católicas. Nada de novo.
Não me incomoda a atitude niilista do senhor: incomoda-me sim a aspereza de ser que nele sempre existiu. Não me incomoda ele ser comunista, incomoda-me ele fazer tábua rasa do facto das pessoas necessitarem de acreditar. A Bíblia - que foi um dos meus principais manuais de estudo nos últimos meses - é, acima de tudo, um livro histórico, escrito por pessoas como ele, inseridas apenas num espaço e num tempo diferentes. Como tudo na existência humana, se o Deus da Bíblia é cruel como refere, nada mais é que a ideia que o homem de então fazia de Deus - porque Deus é, acima de tudo, a ideia que o homem faz do estado que o transcende, à sua imagem e semelhança: faço uma ideia de Deus - o Sem-Nome - porque nunca o vi, nunca o materializei visualmente; mas transporto-o para uma realidade que me é reconhecível, a humana. Torno-o humano como eu, aproximando-o - cruelmente bom. Era assim que pensava o homem da altura. Gostaria mesmo de ver o Sr. Saramago a explicar, como tão bem sabe - ou pensa - fazer, a sua visão limitada da existência humana a um homem que entendia a sua realidade como uma constante teofania: seria apedrejado em praça pública até à morte, claro está.
Pode criticar sim a Igreja Católica enquanto instituição que é, formada por homens que não deixam de ser iguais a ele. Sabido é que a Igreja cometeu várias atrocidades ao longo da História, mas também não deixa de ser verdade que foram os homens que as cometeram. Homens como o Saramago. Quem é ele para criticar o comportamento dos semelhantes, quando ele apenas se limita a corrobar, pelas suas palavras, as suas atitudes? É que Deus, materializado ou não, nada tem a ver com isto, pois é a Ideia... A Bíblia, antes de ser a Palavra que os homens determinaram, é História vista pelos olhos de um ser humano que procurava uma razão de e para existir. E isto, conceito simples, ainda não é compreendido, e muito menos sabido, por muita gente, que por aí opinam no total vazio de conhecimento.
O que realmente me incomoda, no Sr. Saramago, é olhá-lo e ver ali uma pessoa que, após viver toda uma vida, ainda não conseguiu compreender que a existência humana é feita de todo um conjunto variado de facetas, de seres. Que na sua pluralidade merecem - e devem - ser respeitados e compreendidos. O que me incomoda é ver ali uma pessoa que viveu toda uma vida fechada sobre si mesma. E penso: eu não quero ser assim. Absolutamente.
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