sábado, 31 de janeiro de 2009

A não perder

"Música: Poética do rock português estará em debate em Abril em Lisboa

Lisboa, 31 Jan (Lusa) - Músicos, sociólogos, jornalistas e musicólogos vão debater a poética do rock em Portugal, num colóquio que decorrerá em Abril na Universidade de Lisboa (UL) e que integrará ainda filmes na Cinemateca e concertos no Maxime.

Fonte da organização disse à agência Lusa que o colóquio decorrerá de 06 a 08 de Abril na Faculdade de Letras da UL e contará com a participação de vários músicos portugueses e estudiosos estrangeiros.

Em discussão estarão, por exemplo, o lugar da poesia na música, a relação entre literatura e música, a evolução da cultura popular, a censura, a escrita em língua portuguesa.

No colóquio, que propõe "perspectivas críticas de uma literatura menor", serão tidas como exemplo as canções de António Variações, Xutos & Pontapés, Sétima Legião, Jorge Palma, José Cid e Mão Morta.

Entre os convidados contam-se o jornalista francês Mischka Assayas, autor do livro "Bono por Bono", o crítico norte-americano Greil Marcus, que escreveu "Like a Rolling Stone", sobre Bob Dylan, e o jornalista Nuno Galopim.

Os investigadores João Carlos Callixto, Pedro Félix e António Tilly, os críticos Rui Pina Coelho e Mário Jorge Torres, o editor Luís Filipe Cristóvão e os escritores Fernando Pinto do Amaral e valter hugo mãe também marcarão presença.

Entre os músicos convidados figuram Rui Reininho, JP Simões, Paulo Furtado, Tiago Guillul e Fernando Ribeiro.

A par dos debates, está prevista uma exposição de capas de vinis portugueses na Faculdade de Letras, um ciclo de cinema sobre rock na Cinemateca Portuguesa e concertos no cabaret Maxime com Tiago Guillul (07 de Abril), Rui Reininho, Ana Deus e Regina Guimarães (08 de Abril).

"Poéticas do rock em Portugal" está a ser organizado pelo Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa."

In "Notícias de Cultura RTP", 31-01-09.


Na minha faculdade, a não perder.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Trademark



É sobejamente conhecida - por quem tem o privilégio de privar comigo - a minha devoção à Santa Ginja.

Durante seis longos e penosos anos desci a Rua do Carmo, qual procissão solitariamente devocional, em direcção a ESTA capela. A devoção mantém-se... Agora só mudou o percurso. E já não vou sozinha: levo o sacristão, ou seja, o meu melhor amigo. Para os incensos dá jeito.

Como promessas à Santa: apenas lá voltar. Em troca quero um barril daqueles incrustados na parede, com torneirinha e tudo. Acho que mereço.

Talvez procissão com vela resulte...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Pearl


In "Correspondência da Covilhan", 1928.


Uma verdadeira pérola. E o Paraíso que a ASAE desconhece.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Miroir

“Um raio de luz atravessa-me a alma: preciso de companheiros, mas vivos, e não de companheiros mortos e cadáveres, que levo para onde quero.

Preciso de companheiros, mas vivos, que me sigam — porque desejem seguir-se a si mesmos — para onde quer que eu vá.

Um raio de luz atravessa-me a alma: não é à multidão que Zaratustra deve falar, mas a companheiros! Zaratustra não deve ser pastor e cão de um rebanho!

Para apartar muitos do rebanho, foi para isso que vim. O povo e o rebanho irritam-se comigo. Zaratustra quer ser acoimado de ladrão pelos pastores.

Eu digo pastores, mas eles a si mesmos se chamam os fiéis da verdadeira crença!

Vede os bons e os justos! A quem odeiam mais? A quem lhes despedaça as tábuas de valores, ao infractor, ao destruidor. É este, porém, o criador.

O criador procura companheiros, não procura cadáveres, rebanhos, nem crentes; procura colaboradores que inscrevam valores novos ou tábuas novas.

O criador procura companheiros para seguir com ele; porque tudo está maduro para a ceifa. Faltam-lhe, porém, as cem foices, e por isso arranca espigas, contrariado.

Companheiros que saibam afiar as suas foices, eis o que procura o criador. Chamar-lhes-ão destruidores e desprezadores do bem e do mal, mas eles hão-de ceifar e descansar.

Colaboradores que ceifem e descansem com ele, eis o que busca Zaratustra. Que se importa ele com rebanhos, pastores e cadáveres?

E tu, primeiro companheiro meu, descansa em paz! Enterrei-te bem, na tua árvore oca, deixo-te bem defendido dos lobos.

Separo-me, porém, de ti; já passou o tempo. Entre duas auroras me iluminou uma nova verdade.

Não devo ser pastor nem coveiro. Nunca mais tornarei a falar ao povo; pela última vez falei com um morto.

Quero unir-me aos criadores, aos que colhem e se divertem; mostrar-lhes-ei o arco-íris e todas as escadas que levam ao Super-homem.

Entoarei o meu cântico aos solitários e aos que se encontram juntos na solidão; e a quem quer que tenha ouvidos para as coisas inauditas confranger-lhe-ei o coração com a minha ventura.

Caminho para o meu fim; sigo o meu caminho; saltarei por cima dos negligentes e dos retardados. Desta maneira será a minha marcha o seu fim!”


Assim falava Zaratustra
Friedrich Nietzsche


Ontem recebi, num post que aqui alguém bem-aventurada deixou, o maior elogio, em três palavras: diferente, solto e inteligente.

Quando decidi iniciar este blogue, queria mesmo diferenciar-me, ou seja, não queria falar de mim. Já vivemos numa sociedade que cultiva a solidão e eu não queria prestar culto ao individualismo centrando-me no Eu. E a minha vida pessoal, sentimental, whatever... É demasiado enfadonha para eu perder o meu tempo a reflectir acerca. Nem tenho a mínima vontade de encher a blogosfera com disparates. Já chega o que leio e observo.

A dificuldade enorme que tenho em expressar-me oralmente acerca da forma que procuro prolongar-me para o Outro tenho-a, aos poucos, passado para aqui. Com a escrita sempre foi diferente. Necessito de me confrontar com ele, para me descobrir e conhecer-me. Porque o ser humano pensa-se e toma consciência de si através de. Não tendo isso presente, falar de mim, sobre mim, seria estar a falar numa mentira. E eu existo, caraças.

Falo aqui do que sinto, e que sei que todos os que por aqui passam sentem: porque vivemos no mundo do faz-de-conta. E nesse sentir é que está o verdadeiro Eu, aquele Eu que se revê no Outro, que existe nele e para ele - os companheiros de Zaratustra. O Eu que não quer estar sozinho. Nunca.

É este o meu reflexo.


Nota: Escusado será dizer que este é mais um dos livros da minha vida.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Out of order


In Jornal do Fundão, edição de 23-01-09

A minha opinião acerca dos underlines:

1- "Cristiano quando ri" não é, definitivamente, nome a dar a um quadro;
2 - Pintora (com que curso?) beirã e com 83 anos (o nome da tela está explicado);
3 - "Conhecido advogado" = "tacho" e status social (e provavelmente filiado no PS);
4 - Como é que uma exposição SOBRE o Gato Félix está no Chiado?
5 - Só se lembra de homenagear o Cristiano quem não tem mais nada para fazer, que é o caso.
6 - Para além do quadro ser uma infelicidade estética, a explicação do "diálogo" está velha... e fora de uso!

Meus caros, não quero que pensem que sou má pessoa. Aliás, nutro o maior respeito pelas pessoas mais velhas - foi essa a educação que tive. Mas intitularem-se pintores porque pegam num pincel... Epá, já chega. Andei eu a matar a cabeça durante 5 anos da minha vida para ser nivelada profissionalmente a isto, é o cúmulo. A sério, estou farta.

E não foi o Cristiano que se riu... Fui eu!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Crónicas do raio que me parta - Episódio 2



Os meus olhos brilharam.

Hoje encontrei esta belezura. Por mero acaso. A qualidade da representação, a composição e a leveza do traço deixaram-me boquiaberta. No entanto, são estas belezuras que estão enfiadas numa estante qualquer numa sala qualquer de uma instituição pública qualquer. É esta a nossa cultura. E é este o Estado do nosso país.

O nosso património é o que nos define culturalmente. E o nosso, meus caros, está deitado aos bichinhos, que estão de barriguinha cheia com tais manjares. Querem ser cultos? Protejam!


Na 3ª pessoa do plural... Raio que OS parta!

Nota: Omito o título do mesmo por razões óbvias... Ano de edição: 1621.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Dois mil

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Crónicas do raio que me parta - Episódio 1



Decidi dar início, neste blogue, a uma série de crónicas do raio que me parta... Porque é mesmo dele que se trata. Pelo menos tenho-o proferido bastante nestes últimos dias.

Comecei há três dias a escrever as ditas crónicas. E escrevi duas páginas... DUAS, de umas centenas que se esperam fazer o resultado final. Do Estado da Questão. E embora estando ainda só no princípio, isto já começa é a ficar em estado de sítio. Quanto mais escrevo, mais penso que nada sei. E o defeito de não conseguir expor ideias directamente para o pc faz com que o calo do dedo médio já esteja em expansão, e que as folhas rasuradas já se comecem a amontoar. Uma verdadeira pseudonovelaintelectual.

Tendo em conta que planeio entregar a tese antes do Verão... Acho que vão ter de me aturar por mais alguns episódios (não, eu não vejo a TVI).


Só sei que nada sei.
Sócrates, o filósofo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Vida de Marinheiro

Vi os Sitiados uma vez ao vivo. E fiquei chocada com a notícia da morte do vocalista, João Aguardela.

Hoje já não digo mais nada.

Platónico

Há relativamente pouco tempo, uma palavra voltou para o meu dicionário: platónico.

Confesso que já não me lembrava dela. Julgo que a última vez que a proferi - ou pensei - estaria eu no final da minha adolescência... Em que o agora estava ainda tão longe e que o futuro me parecia algo impossível. Discurso algo depressivo, talvez, mas ainda penso que naquela altura fazia questão de insuflar algum dramatismo à ideia de um amor não correspondido: fazia tudo parte de uma certa teatralidade própria e necessária da idade.

A associação que fazia na altura entre o termo platónico e o amor não correspondido vejo, hoje, estar errada. Nada tem a ver. Até à data tenho-me, ocasionalmente, debruçado sobre esta temática, até porque o Amor também fundamenta o meu trabalho. Faço questão de agora - num momento em que tal me parece justificado e oportuno - partilhar a minha opinião sobre o assunto, resultado de algumas leituras e conclusões a que cheguei, ao longo deste tempo.

É vulgar associarem-se os termos platónico e impossível. A noção de Amor ideal defendida por Platão concebia este sentimento como algo puro na sua essência, ou seja, desprovido de paixões, estas por ele associadas à materialidade e falsidade. Estaria assim fundamentado na Virtude, e não em qualquer outro interesse físico. Com o tempo, foi o termo platónico - utilizado pela primeira vez por Marsilio Ficino, filósofo neoplatónico do séc. XV - erroneamente associado ao amor idealizado, em que o objecto seria o ser perfeito, imaculado. Ideia largamente explorada pela literatura - especialmente no período Romântico -, tornou-se sinónimo do amor inatingível, subjectivamente pleno pois não implicava o Outro, mas apenas a Ideia que se fazia dele. O Ideal personificado.

Ora, não era esta a ideia defendida por Platão. O Amor ideal seria aquele que buscaria o Belo, o qual apenas se poderia encontrar na Virtude. E a Virtude platónica assentava na beleza do carácter e na inteligência do Outro, e não em ideais. Contudo, a expressão "amor platónico" que hoje vulgarmente se usa reflecte o que é mau no ser humano: o egoísmo, o medo, a infelicidade, o sofrimento. E é um dos limites da solidão. Porque não se consegue alienar do Desejo.

Infelizmente, hoje a ideia de Amor não se concebe sem Desejo. Há que possuir o Outro, e isso tornou-se no objectivo. Apenas se conhece, não se compreende. A pessoa é vista como um objecto, e a consumação do Desejo como o fim a atingir. O sentimento que deveria ser baseado na Virtude platónica é toldado pelo que é meramente material e fugaz, realização do prazer momentâneo e imediato. E esquece-se que a pessoa se manifesta pelo que é, enquanto ser em si. Quando me falaram em platónico, apenas uma palavra me veio à mente: egoísmo. E eu esse platónico não o sinto, não na perspectiva que defendi anteriormente. Porque acredito que amar o outro - pelo que é - é ainda possível. E que isto nada tem de irrealizável. Apenas há que olhar para lá de nós mesmos. E o Desejo será, afinal, apenas e somente o reflexo.

Nada de ideais.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Pontapé no olho

Para ilustrar o que ontem escrevi... Nada melhor que "Kick in the eye", dos Bauhaus.




Há coisas que só mesmo a pontapé.

Morphine

Ontem foi um dia mau. Ou melhor, metade de mau.

Esperando eu ter uma reunião logo às 10.00h com o Master lá do sítio, fui por este literalmente arrastada para uma apresentação de uma exposição bibliográfica da Vieira da Silva... O que originou uma enorme frustração em quem tinha andado que nem uma louca tresloucada para conseguir chegar a horas.

Dei por mim numa sala semi-escura, rodeada de pseudo-intelectuais de toda a espécie. Como orador, o mui caro destas lides José-Augusto França, que discursava um texto hermético sobre a pintora, que a dada altura me fez pensar: "Eu quero uma injecção de morfina... Morfina... Morfina...". Tinha de alguma forma entreter a mente de um discurso que já ouço, e leio, há mais de uma década. Neste país quando se eleva alguém ao estatuto de coqueluche, prestam-lhe homenagem e vassalagem cegas sem sequer se questionarem. Pensam pequeno, mesmo muito pequeno.

Consegui escapulir-me no intervalo, já perto da hora de almoço. Finalmente livre, para pensar. Enquanto pintora, enquanto fazedora de, aquele discurso provocou-me asco. Como todos os discurso do género. Até na percepção da arte há necessidade de mudança. Sempre achei totalmente dispensável a palavra na apreensão do objecto. Sempre me recusei a falar, explicar o que fazia, porque a obra sente-se, não se explica. A palavra diminui qualquer obra, reduz o humano contido em a um conjunto limitado de significantes e significados. E nós somos muito mais que isso.

O recurso recorrente a metáforas linguísticas para explicar o objecto só o fecha sobre si mesmo. Sufoca-o. Torna a sua apreensão apenas possível a quem possui o dom (grande parte das vezes fingido) de descodificar um código de palavras sem nexo. Carregadas de um apaixonamento irracionalmente desmedido e inverosímil. A palavra chega a ser mais importante que o objecto em si - mesmo que este não valha nada, se alguma coqueluche disser que é um must, está tudo dito (algo muito vulgar no nosso país... Demasiado vulgar). Esta é uma e talvez a principal razão de ter deixado de me imiscuir no meio, porque não quero palavras. A arte parte do todo e é para o todo, e encontra-se hoje fechada no seio de uma elite que se mascara sob uma nuvem de pó de arroz.

Crio para tocar no outro, para o provocar. Para o obrigar a sentir, a sentir-se humano. A ver-se como um todo. E preciso pensar, pintar, escrever ainda mais... Para me salvaguardar de um dia chegar um chanfrado qualquer - já comigo depois de morta, é-lhe conveniente... -, com estes discursos do outro mundo. Vocês que lêem, os meus quadros, os meus gatafunhos, os meus apontamentos... Serão as minhas testemunhas.

Não é a crítica que faz a arte, mas a arte que se faz a si mesma viva, sem vogais nem consoantes.


Pronto... Admito. Foi um 1/3 de mau. Afinal não foi mauzinho de todo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

ad Cor tuum




A horas já tardias - e já com o cansaço a passar do físico para o psicológico -, só para dizer que hoje vi-me rodeada de mais novos dos meus corações... O que me elevou aos píncaros da felicidade.

E, já agora, originou-se uma enorme pica...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Les yeux du coeur



"E então na sua memória pairava a velha inquietação: porque é que os homens têm tanta dificuldade em entender, sem explicações racionalmente formuladas? Falta-lhes escutar a complexa voz da percepção. É que a compreensão da manifestação maior do espírito humano - a arte - não se reduz a uma observação directa e factual, tornando-se necessário ver o que está para além do objecto, que mecanismos o artista accionou na sua elaboração. Para decifrar as mensagens que pretendeu transmitir, para entender a complexidade da expressão artística, só apreendendo o tangível, e também o sonho que se encerra em cada objecto criado".

Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince.



Um dos livros da minha vida. Que determinou o que eu iria ser quando fosse grande. Que deu resposta a todos os porquês. Que me fez compreender, e de forma tão simples, a verdadeira dimensão da essência humana.

Apenas se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

Imago



Faculdade de Belas-Artes, 1999.

A foto onde me assumo como pintora. É única.

Noto que a relação que tenho com a minha imagem se tem vindo a deteriorar com o passar do tempo. Nada tem a ver com a idade... Mas sim com o Eu cada vez menos se rever na forma que ocupa. Cá dentro está tudo a ficar demasiado grande, sensações, pensamentos. E o meu corpo recusa-se a acompanhar esse crescimento, e não me deixa exteriorizar tudo isso, quando a vontade era fazer isso mesmo. O corpo fica inexpressivo, enquanto todo um turbilhão me envolve interiormente. Não sei se o que escrevo terá algum sentido, mas cada vez mais me recuso em identificar-me com esta imagem. Porque eu não sou apenas e só ela. Porque não quero que os Outros me vejam só assim.

Eu sou o que sou... E o que sinto. Pintora de sensações.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Let it snow [take 2]

Ontem, ao chegar à Covilhã, foi assim...



E na aldeia estava assim...



O meu paraíso é assim.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

And God save... Me.




Ei-lo.

Tenho passado algumas horas - já tardias - dos meus dias, ou melhor, noites em volta deste documento. Tem três fólios - este é o segundo. O primeiro já está tratado, só dois dias: demorou para descobrir que se tratava de um contrato de empréstimo de cem mil réis. Desejei mesmo retroceder no tempo e esganar o tabelião.

Deixo-vos com este fólio por uns dias, vou estar ausente: o Tombo espera-me. Talvez algum de vocês tenha o dom iluminado de descodificar o que falta (este já tem algumas notas minhas...) até à minha volta. Ou possua uma máquina temporal e vá lá atrás esganar o tabelião por mim (já agora, se tal acontecer... Esmerem-se).

Tudo por causa de uma assinatura de um suposto pintor.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

non-sense


© [2009] Maria Carmo Mendes


Se eu alguma vez trocasse rabiscos por notas de 5 €... Provavelmente estaria rica.

Quando me sinto mentalmente cansada e tenho papel por perto, rabisco. Ontem, embrenhada que estava numa transcrição (quase) impossível de um documento - cujo escrivão se manteve decidido até ao final do mesmo em escrever sem levantar praticamente a pena, pondo em causa os meus recentes conhecimentos de paleografia (faço questão de mostrar o dito em momento oportuno...) -, tive que libertar a minha frustração na folha branca seguinte. De lapiseira em punho surgiu a forma. Acho que sou eu.

Afirmo-vos que todos aqueles que dizem que pintam o sonho, o belo, whatever, são uns grandes mentirosos. A arte, antes do saber representar, é saber pensar o que se sente de forma consciente. Não há arte sem que a realidade seja compreendida e assimilada com sentido. Sem nos imiscuirmos, nos prostituirmos para e com o que nos envolve. É essa a melhor droga. Dos sonhos, essas manifestações do libertino inconsciente, não me recordo na maior parte das vezes e não me interessa materializá-las porque sou Eu e a arte vive do Outro; o belo, esse é tão subjectivamente imenso que é impossível formalizá-lo na sua plenitude. Portanto, meus caros, conversa fiada de quem não não tem o que pensar e de quem não sabe, acima de tudo, pensar.

No entanto, o termo sonho é usado por mim amiúde: refiro-me sempre à imaginação. E sim, imagino muitas vezes, acho que mais vezes do que aquelas que devia. Sonho acordada? Sonho consciente. Talvez daí este cansaço mental que por vezes me assola. Talvez daí a necessidade incessante de rabiscar, de o expurgar.

Quero afinal trocar os meus numerosos rabiscos por tempo. O tempo que necessito para que deixem de ser apenas rabiscos. Aquele tempo que preciso para terminar a gestação destes embriões.

Preciso de pintar...

I'm a believer




"Afinal o amor pode durar para sempre.

Estudo. Infelizmente, só acontece a uma (afortunada) minoria: largos anos depois, alguns casais mantêm acesa a paixão dos primeiros instantes. Uma questão de química, dizem os investigadores da Stony Brook University "Apaixonados como no primeiro dia? Impossível, não podem estar a falar a sério". Durante muito tempo, foi justamente isso que Arthur Aron pensou, ao ouvir casais afirmarem que a chama da paixão se mantinha acesa após mais de 20 anos de vida em comum. Mas, e se estivessem, de facto, a falar a sério? Psicólogo da Stony Brook University, de Nova Iorque, nos Estados Unidos, Arthur Aron ficou intrigado com estes relatos de eterna felicidade conjugal e, afinal, é mesmo assim: o estudo que conduziu indica que, para uma afortunada minoria - um em cada dez dos casais analisados -, o amor pode mesmo durar a vida inteira.

Segundo a edição online de ontem do Sunday Times, a equipa de investigadores comparou, através de scanner cerebral, as reacções químicas manifestadas por casais de longa data e por casais em início de relacionamento amoroso. Os resultados foram surpreendentes: o cérebro de alguns casais, juntos há mais de 20 anos, libertou os mesmos níveis de dopamina - neurotransmissor associado às sensações de prazer - encontrados na fase inicial do enamoramento. Mas, sublinham os investigadores, sem o quadro obsessivo que também caracteriza esse estado nascente, o que poderá indiciar uma maior maturidade no relacionamento destes casais que, passado o teste do tempo, podem dizer com segurança ter encontrado a sua "alma gémea".

"Estes resultados vão contra a visão tradicional de que a paixão esmorece dramaticamente durante os primeiros dez anos de relacionamento, mas agora sabemos que o contrário é possível", afirmou Arthur Aron, citado pelo Sunday Times.

Aos casais imunes ao declínio da paixão, a equipa de investigadores da universidade nova-iorquina atribuiu a designação de "cisnes", uma das espécies que, no mundo animal, dedica toda a sua vida ao mesmo parceiro. E, aos 64 anos, tal como a sua mulher, Elaine, Arthur Aron confessa que, apesar de ter "um casamento sólido", também ele sente "uma pontinha de inveja" destes pares de "cisnes": "O relacionamento destes casais permanece intenso, e sexualmente activo também", apesar de uma longa vida passada em comum.

Estudos anteriores nesta área, lembra o Sunday Times, haviam validado a visão corrente de que a paixão esmorece, em média, ao fim de 12 a 15 meses. E que, ao fim de dez anos, "a química" pura e simplesmente já não existe. A famosa "crise dos sete anos", na base de tantos divórcios, corresponderia, assim, a um dos "pontos de fractura" que marcam a generalidade dos relacionamentos amorosos.

Entre os "cisnes" da vida pública britânica, o jornal aponta o ex-primeiro-ministro Tony Blair e sua mulher, Cherie, e o actor Michael Caine e sua mulher, Shakira. |Com Times Online e CNN/Health."

In DN Online, 05-01-09.


Eu acredito. Afinal todos nós temos um cisne algures por aí, e a dopamina não engana.


domingo, 4 de janeiro de 2009

Le Scaphandre et le Papillon




"O Homem está condenado à Liberdade."
Jean-Paul Sartre


Estava a precisar. A precisar mesmo. Até porque ultimamente tenho andado algo revoltada.

Sábado à noite é, quando o tempo me permite, dedicado a ver filmes. Já há alguns anos que este ritual se repete. Ontem seria mais um desses dias, em que o serão seria passado a ver um filme.

Quem me conhece bem, sabe o meu gosto pela cultura francesa. Um país que já tive oportunidade de visitar várias vezes, não me limitando a Paris, mas percorrendo quilómetros pelo interior. Pitoresco e fascinante. A musicalidade da língua francesa encanta-me - não fossem eles os "pais" do french kiss, segundo reza a lenda. Acho que fui muito influenciada pelo facto de os meus pais terem feito parte do role de emigrantes retornados após o 25 de Abril de 74 - o meu pai, comunista convicto, emigrou para França para escapar à PIDE -, trazendo com eles na bagagem parte daquela cultura: Piaf, Brel, Aznavour, Dassin. A minha mãe alimentava verdadeiras paixonetas pelo Alain Delon e Jean-Paul Belmondo. Nasci e cresci já neste meio.

Daí a tornar-me verdadeira consumista foi um pequeno passo: escritores como Balzac, Maupassant, Sartre, Deleuze, Beauvoir e filmes como Les Amants du Pont-Neuf, Delicatessen e Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain constam entre os meus favoritos. E ontem a lista passou a contar com mais um.

Realizado por Julian Schnabel (também realizador de Antes que Anoiteça e Basquiat), O Escafandro e a Borboleta é mais um daqueles (poucos) filmes em que a imagem despoleta todo aquele conjunto de sensações que nos fazem sentir humanos. Demarca-se por une sensibilité unique. Retrata a história de Jean-Dominique Bauby, um bem sucedido editor da revista Elle francesa, que um dia sofre um acidente cardiovascular que o deixa completamente imobilizado, ficando somente com a visão do olho esquerdo e a sua mente. Sem poder expressar-se por palavras, Bauby resolve um dia querer escrever a sua autobiografia, recorrendo apenas aos movimentos do olho para comunicar com Henriette - a sua voz e mão - e à sua imaginação, levando-nos ao limite da essência do que é ser humano: limitado ao seu escafandro existencial, liberta-se(-nos) através de viagens pela raiva, pelo amor, pela memória, pela fé e pela felicidade. Essencialmente belo, como uma borboleta.

Filme apresentado no Festival de Cannes em 2007, obteve o Prémio para Melhor Realizador. Foi também vencedor de dois Globos de Ouro, para Melhor Realizador e Melhor Filme Estrangeiro e teve quatro nomeações para os Óscares de 2008, de destacar a Melhor Direcção de Fotografia.

Baseado no livro homónimo: à venda na Fnac, presente de mim para mim.

A história é verídica.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

...And God save the Queen.

Pois é, meus caros... De volta, para o primeiro post de 2009.

Hoje tinha vontade - acreditem-me... - de escrever algo que mudasse radicalmente o mundo (...), mas ao deambular pela net deparei-me com isto... E a esperança vacilou:



Dei-me ao trabalho de consultar os restantes premiados, ou melhor, pesquisadas. Aqui seguem os resultados:

2º lugar - Nereida Gallardo (isto é no que dá ter mamocas grandes e andar no forrobodó com o CR);
3º lugar - Amy Winehouse (no comments...);
4º lugar - Ana Malhoa (de tão pirosa ser, se fosse minha filha já tinha levado um enxerto de porrada, mas o facto de o pai ser o Zé explica tudo...);
5º lugar - Soraia Chaves (está visto que os portugueses recalcados não lidaram bem com o complexo do padre Amaro...);
6º lugar - Jessica Alba (a foto mais atinada de todas: mamocas discretas, encaixadas num cai-cai...);
7º lugar - Diana Chaves (outra que andou no forrobodó com um futebolista...);
8º lugar - FERNANDO PESSOA (What the f***...???);
9º lugar - Carla Matadinho (mais mamocas...);
10º lugar - Paris Hilton (para completar o cardápio de 5*, podia juntar-se a amiga Britney Spears...).

Não podia deixar de destacar o Fernando Pessoa. Na tumba deve estar a dar pulos de contente! Com tanta mamoca ao léu, certamente que o seu estilo passaria a ser bocageano, a cair para o sádico. Passaria a número 1: o Rei da Internet era gajo, e escritor ainda por cima. Oh, inglória...

Aqui segue o link: ver para crer.


Sex, Drugs and Rock n' Roll... É o que se quer.