
Apresento-vos a minha mãe. A sério... é mesmo a minha mãe.
Este foi o primeiro retrato "não convencional" que fiz. Decorria o ano de 2001. Quem me conhece sabe o quão difícil me é explicar - e mostrar - o que faço. Daí ter partido de um termo usual - o retrato -, para ir contra o que em mim está enraizado, e contra a noção "tradicional" do mesmo. É um bom princípio, acho.
Até aqui, nunca tinha representado uma pessoa como a via: limitava-me a olhar e a não pensar. Pela grafite, pelo óleo... Apenas olhava. Este quadro marcou a viragem: podendo eu ter seguido uma tendência mais naïf no campo da expressão plástica não o fiz. E ainda bem.
Embora com influências miróseanas (as quais não nego), criei aos poucos novos signos e novas materialidades que fossem ao encontro daquilo que eu sentia acerca do que me rodeava e, neste caso, da personagem em questão - a minha mãe -, e esqueci o olhar. Porque o olhar vicia, e muitas vezes corrompe o coração.
O que me interessava - e continua a interessar - era dar a forma ao sentir. Pensá-lo e "recortá-lo" para fora, e "colá-lo" na minha imaginação, que é sempre azul. Não me perguntem porquê. Apenas sei que nela tudo é envolto nessa cor. Nela se envolve o que sou.
Recriar a imagem de quem me deu a vida foi o maior desafio com que me deparei, dada a imensidão de sentimentos... Mas ainda hoje reconheço a luz que lhe emana do rosto e os abraços que nunca se fecharam... Nas formas com que os retratei.
2 comentários:
A tua mãe... que tenho o prazer de conhecer...
Sem comentarices, um beijo para ti minha grande Amiga, e outro para essa grande Senhora.
Como é que uma mãe assim dá à luz uma filha como tu??? Eu e a arte... a arte e eu... :S
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